Novamente Natal


Os dias que antecedem o Natal e a virada de ano, nos fazem um pouco ficar mais sensíveis. Ainda bem! O espírito natalino, libera uma certa dose de compaixão, de solidariedade e resgata memórias importantes de nossas vidas.

Para mim, o Natal sempre foi o momento de família reunida, de compartilhar presentes, ainda que simples, mas cercados de uma aura e um brilho que a só a infância sabe dar, de ir à igreja, de sentir o cheiro do pinheiro de Natal dentro de casa.

Hoje, continuo acreditando na importância de reunir a família, de compartilhar presentes com as crianças, aquelas que cresceram e aquelas que ainda o são, porém penso que podemos agir um pouco mais. Por esta razão, este ano decidi que antes do Natal, faria uma visita a um lar de jovens que requerem de um pouco de atenção, que precisam de uma mensagem de esperança, pois o destino não lhes foi até agora, um pouco mais generoso.

Um prato de comida, ou um presente, pode fazer a alegria de um momento, mas uma mensagem, pode ser útil para a vida. Os jovens que visitei, não acessam a internet como nós, não recebem em suas caixas postais, emails em profusão contendo mensagens de ajuda, de apoio, de exemplo. Eles apenas se confrontam com a nua e dura realidade do cotidiano de suas casas, de seus familiares, que também foram se amargando ao longo dos anos. No lar onde nos encontramos, algumas pessoas devotas, se dispuseram verdadeiramente a ajudar e mantém o local com afinco e profissionalismo. Mas a sociedade insiste em olhar para aqueles meninos e meninas, ainda com desprezo e até medo.

O amargo da vida, que se perpetua para muitos, conflita com o doce sabor do Natal, aquele que a maioria de nós pratica. Deixei o conforto e a tranquilidade de lado e fui me sentar junto a eles em uma tarde ensolarada.

Não fui para julgar, para ensinar ou para dizer o que é certo ou o que é errado. Falei de vida. Falei da minha vida, dos meus pais, dos meus acertos e até dos meus erros. Algumas mães me ajudaram com perguntas e dúvidas. Confesso que sai de lá com uma vontade de ajudar ainda mais, pois sei que foi pouco. Não era um auditório lotado, daqueles onde dou uma palestras, onde tudo está muito certo e programado. Alguns dos jovens estavam ali por que foram obrigados a participar. Improvisei, suei a camisa, na busca de tocar com as palavras. Estabelecer um diálogo não foi uma tarefa fácil. Não era o público com o qual eu estava acostumado a falar.

Por outro lado, ao final, alguns me olhavam com esperança. Aquele olhar que só quem vê sabe. Conversamos mais isoladamente na confraternização, e quando se julga menos e se ouve com intenção de ajudar, tudo fica mais fácil.

Não fui mudar o mundo, não almejo ser o responsável pelo destino de cada um, mas se as palavras, os sentimentos, as emoções que compartilhamos naquela tarde puderam se sobrepor à dureza de ao menos um deles, e este se lembrar antes de agir, certamente terei contribuído de alguma maneira. Esta é a minha crença.

O novo ano traz de acordo com a tradição secular, a expectativa de um novo espaço para agir, de um novo momento. O que foi, não mudamos, o que é, estamos vivendo, o que virá é a incógnita do destino e a folha em branco na qual podemos escrever ou fazer uma nova história. Daí a esperança.

Ao final, convidei-os para uma atividade diferente. Pedi que cada um demonstrasse algo positivo e bonito com as mãos para que eu as fotografasse. Em troca, lhes ofereci as fotos impressas com uma mensagem de minha autoria, e me comprometi em entregar antes do Natal.

Quando o mais velho se levantou, os demais o seguiram, até mesmo um deles que manteve-se apático quase todo o tempo, apesar de minhas insistentes perguntas e tentativas de incluí-lo no grupo.

Com as fotos desta ação e um poema, publiquei um pequeno vídeo no Youtube:

Para todos os que tiveram a paciência de ler até aqui, desejo um feliz Natal e um ótimo ano novo.

Um grande abraço.

Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Novamente Natal

  1. Anibal Teixeira de Araujo disse:

    Marco,
    Nos encontramos na VW, nos tempos de “praticante”. Estive lendo seu material e fiquei impressionado com o que suas mãos fizeram.
    Parabéns!
    Anibal

    • Caro Anibal, fico muito contente e satisfeito que tenha gostado das crônicas. Nos últimos tempos ando distante, pois a nova atividade tem exigido bastante, entretanto, algumas idéias e textos estão aguardando para serem publicadas. Que bom que gostou.
      Um grande e saudoso abraço do Marco Aurélio.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s