Procure no Google…


Onde encontrar respostas para tantas dúvidas e questões nos dias de hoje?

Onde encontrar um mapa que nos indique o caminho para um local de interesse?

Onde encontrar imagens, textos, trabalhos, receitas, recomendações, filmes, músicas e tantas outras coisas, inclusive pessoas?

O caminho é o Google. Este poderoso mecanismo de busca, que se tornou uma empresa, um negócio de milhões de dólares.

Até ai, tudo bem.  A questão é: no que o Google está se tornando em nossas vidas?

Na Grécia antiga, havia os oráculos. Pudemos conhecer uma versão pós moderna deles no filme Matrix. Aquela figura enigmática capaz de predizer o futuro em metáforas e hipérboles. Não estaria o Google, se tornando em um novo oráculo pós moderno? Algo desprovido de feição humana, mas lidando com o produto humano da informação e desinformação, expondo e revelando conteúdos a partir de palavras chave, códigos lingüísticos e algoritmos secretos?

Conheci gente que não faz mais nada sem primeiro consultar o Google. Trabalhos de escola ou faculdade, receitas para cozinhar pratos diferentes na cozinha, procedimentos para tirar manchas de roupa etc. Na dúvida, é só escrever ali no campo de busca e clicar. Fácil, “gratuito” e indolor.

Como que num passe de mágica, as respostas aparecem em sua tela. Milhares de resultados à disposição de sua paciência, para serem explorados, aceitos ou rejeitados. O oráculo pós-moderno oferece opções. Você escolhe o caminho.

Com o passar do tempo, os resultados apresentados vem sendo aprimorados. Os sites passaram a ser considerados por acessos e links, e sobem no ranking de aparição nas páginas de resultados. Dessa maneira, as buscas se tornaram mais efetivas. Ao mesmo tempo, nossos objetos de busca são analisados e avaliados, para que se conheçam nossas preferências, para que nos ofereçam serviços ou produtos adequados ao lado do resultado das pesquisas.

Enquanto procuramos no Google, não nos damos conta de que, praticamente todos os outros meios que usávamos para sanar nossas dúvidas, viram coisas do passado. Enciclopédias são agora “livros objeto” empoeirados nas prateleiras, manuais de produtos, de serviços e toda sorte de utilidades, estão ao alcance do algoritmo de busca do Google, em sites e mais sites pela Internet, indexados por sua popularidade e disponibilidade.

Outro dia quis testar algo diferente, primeiro coloquei meu nome para ver o que acontecia, e me descobri logo na primeira página. Fiquei contente, mas rapidamente me dei conta de que eu estava ali por que havia disponibilizado meu nome, meu endereço do Twitter, Facebook, Orkut, Blog etc. Estava ali por que queria de fato aparecer. Afinal de contas, quem escreve, quer ser lido por outros. É assim que também quero contribuir para mudar algo no mundo.

Entretanto, esta atitude não era assim tão diferente. Uma vez que as respostas para as palavras e objetos procurados, é classificada por um cérebro eletrônico, um conjunto de servidores com um poderoso e secreto algoritmo, me perguntei infantilmente: por que não falar com ele? O que aconteceria se estabelecesse um diálogo com as respostas do Google?  Tomei iniciativa imbuído de um espírito experimentalista, a exemplo dos artistas de vanguarda do século XIX. Para onde me levaria o oráculo pós moderno, a partir de algumas simples palavras? O trecho a seguir, é a transcrição deste “diálogo inusitado” realizado no dia 10 de fevereiro de 2011.

Eu: Bom dia

Google: “Quando Deus abriu a janela do céu e me viu, perguntou… Qual é o teu desejo para hoje? Eu respondi… “Senhor, por favor cuida bem da pessoa que está lendo esta mensagem, pois ela é minha amiga.””

Eu: Obrigado, desejo um bom dia para você também.

Google: Desejo uma semana muito linda para você!

Eu: O que você fará hoje?

Google: O que você hoje faria se soubesse que iria morrer amanhã?

Eu: Morrer amanhã?

Google: Se eu morrer amanhã, Pedirei apenas uma coisa: Que possa, mesmo que por um instante, Olhar para trás. Certamente, rirei de minha inocência …

Eu: Qual o sentido da vida?

Google: o amor dá sentido às nossas vidas, tal como a amizade, ou a arte, ou a crença em Deus. São fatores de felicidade, de paz interior, …

(as respostas foram as primeiras frases ou texto da primeira imagem apresentada. Algumas respostas podem se  alterar em alguns casos, em função do que é publicando e avaliado pelo algoritmo de busca)

“Conversamos” por alguns instantes apenas, o suficiente para que eu pudesse concluir que, mesmo sem haver alguém “do outro lado”, as respostas já estavam ali, alguém já as havia escrito. Alguém já havia vivido, alguém já havia contribuído.

Na realidade, por de trás daquele “cérebro eletrônico”, classificador e censor, estavam pessoas. Gente como eu e você, que de alguma maneira, mais rica ou mais pobre se dispôs a revelar um pouco de si. O verdadeiro conteúdo está em nós mesmos, passível de ser compartilhado, divulgado. A máquina, o Google, a rede, é só um caminho e não o único.

Não precisamos ser escravos da tecnologia. Somos agentes, somos pessoas, possuímos nossas história pessoais, nossas emoções, nossas identidades, nossa individualidade. Podemos não estar no ranking da primeira página de resultados. O que de fato importa, é que se nos esquecermos disso, poderemos estar ali, apenas como mensagens de 140 caracteres, algumas fotos, talvez algumas menções jornalísticas para alguns ou apenas em números e estatísticas de consumo.

Antes de estarmos online, precisamos ser nós mesmos. Antes de nos expor, muitas vezes de maneira até exagerada e insegura, precisamos de conteúdo, afinal não é isso que procuramos quando fazemos nossas buscas?

Qual o seu o conteúdo? Já procurou no Google?

Sem dúvida esta resposta, não estará lá.

Está onde sempre esteve, dentro de você.

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2 respostas para Procure no Google…

  1. JOSIAS DOS SANTOS NETO disse:

    Texto muito bem escrito e de uma felicidade incrivel na linha de pensamento proposta,até me encorajei para abrir um desses blogs e colocar algumas ideias malucas a disposicao de outras pessoas!!!muito legal a iniciativa,gostei mesmo!!!Em um mundo onde as pessas tem preguiça de pensar,um projeto como esse é um estimulo aos mais jovens!!!abracao tio

  2. adrianadantas disse:

    Excelente texto! Suas palavras nos levam a refletir sobre o impacto que as respostas instantâneas têm em nossas vidas, e que as respostas que realmente fazem sentido, não são encontradas em nenhum outro lugar, a não ser em nós mesmos. Parabéns, mais uma vez! Tenho aprendido muito com você…

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