Tempo de eleições, tempo de reflexão


Eu não pretendia escrever sobre política aqui no blog, mas falar de motivação, de ação e gestão e não falar de política, é simplesmente deixar de lado um de nossos principais papéis, talvez o primeiro que ganhamos quando atingimos a maioridade, o de cidadãos. Ser cidadão significa tomar uma atitude consciente, mesmo que seja a de não fazer nada, o que já é em si uma atitude. Como gestor, não há como se eximir de uma posição política. Uma outra questão é a opção partidária, e aí reside a beleza e o horror da política.

Mas por que estou escrevendo sobre isso? Na realidade meu caro leitor, é por que você, assim como eu e todos os brasileiros, precisamos elevar o nível do debate político, da crítica e do ato de fazer política.

Este final de semana ouvi algumas músicas que questionavam o status quo brasileiro na época da ditadura militar. Como foram inteligentes nossos artistas. A censura os obrigou a buscar formas e meios para fazer a crítica, para mostrar o que não podia ser mostrado. Só para ficar em alguns nomes, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Caetano, Henfil, Taiguara… a lista é grande, mas sempre houve uma legião de cidadãos anônimos que soube fazer a crítica nas rodas de bar, nos almoços de domingo, nas salas de aula, no cotidiano da vida. Todos que se manifestavam sabiam do perigo que corriam, alguns pagaram com a vida o preço de suas opiniões.  Eu mesmo fui vítima de censura aos dez anos de idade! Em 1975, quando levei para escola um mapa do Brasil pintado de vermelho, a professora cheia de zelo me mandou refazer o trabalho, pois “dava uma impressão de comunismo” dizia ela. Em casa naquele dia, contei a história para meu pai, que sorriu e simplesmente disse: “pinte o mapa de verde amarelo e mais tarde você vai entender isso”. Entendi o significado daquela atitude alguns anos depois, mas o fato me marcou profundamente. Classifiquei o gesto como um ato de censura, do qual extraí muitas lições para minha vida e para meu posicionamento político.

Estou lendo artigos de revistas e emails que abarrotam minha caixa postal com uma crítica avassaladora a um dos candidatos do processo eleitoral em curso. Coisas normais da democracia, diriam alguns. Entretanto, democracia exige sensatez e respeito a opinião alheia. A qualidade da crítica, da argumentação e mesmo o preconceito e a ignorância a respeito do que está em questão, me fazem crer que muitos dos que falam, escrevem e esbravejam por aí não aprenderam nada sobre democracia. Podem ter lido muito. A maioria inclusive, se auto intitula democrata, mas seus argumentos são tão grosseiros quanto os da censura da ditadura militar, que trocava matérias de cunho crítico por receitas de cozinha nas páginas dos jornais. Aquela crítica elaborada que aprendemos dos tempos de oposição à ditadura já não existe mais.

Vivemos a sociedade do espetáculo, onde boatos viram notícias internacionais, onde a mídia assume o papel de mensageira da verdade e a verdade é o que alguns querem que seja visto, lido e compreendido.

O mais interessante, e convido o leitor a este exercício, é pegar as revistas de maior circulação nacional e ler o que elas dizem a respeito dos candidatos. Durante a semana, procure conversar com as pessoas que lêem estas mesmas revistas e observe a argumentação. Opinião pasteurizada, igual àquelas das revistas. Isto para falar dos que tem uma argumentação minimamente estruturada, pois há aqueles que parecem trogloditas falando de coisas que ouviram dizer e boatos que não possuem qualquer fundamento. Há ainda, os que fazem o terrorismo político em uma atitude desesperada e disparam emails em correntes por aí, como se fosse a última palavra da verdade, a sua verdade. Para estes, não há o que dizer, pois pedras e balas não são argumentos, que o digam os que nos tempos da ditadura, pegaram em armas para derrotar os militares. Na democracia existe a sua verdade, a minha e a nossa. Precisamos aceitar isso. Podemos nos indignar com os fatos que aos nossos olhos parecem verdades, mas devemos nos aprofundar e avaliar para opinar, caso contrário apenas reproduziremos aquilo que outros nos dizem que é a verdade.

Aprendi que devemos lutar contra qualquer tipo de ditadura, de direita, de esquerda ou de centro, religiosa ou laica. Aprendi que por pior que sejam os governantes, somos nós quem os elegemos, somos nós que os aceitamos, mas sobretudo, aprendi que eles representam uma parte de nossa sociedade, de nossos valores e nossas atitudes.

Não sou a favor do vale tudo de qualquer que seja o partido, coligação ou candidato, assim como, da troca de votos por comida, dentaduras ou um posto de saúde no bairro. Sou a favor de propostas que de fato promovam os valores que acredito, que construam o que precisa ser construído, que apontem para um futuro sem demagogia e com seriedade. Se você é contra ou a favor de um candidato, eleve o nível, argumente com fatos, suposições não levam a nada. Quem tem a ganhar é você e quem está te ouvindo. Ganha nosso país que desenvolve o espírito democrático, nossos filhos que aprendem que fazer política é algo que não esta associado a ocupar um cargo público eletivo ou não, aprendem que fazer política não é sinônimo de ser corrupto ou criminoso. Fazer política não é repetir sem pensar o que outros nos dizem, só por que estava escrito na revista A ou B. Fazer política é agir como cidadão, debatendo e aprendendo a fazer um dia a dia melhor onde quer que você atue, não apenas na época das eleições.

Assim mesmo, aproveito este tempo e deixo aqui o convite para uma boa reflexão, discussão e opção.

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Uma resposta para Tempo de eleições, tempo de reflexão

  1. Parabéns pelo texto Marco!
    forte abraço,

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