Trechos do diário de Machu Picchu


Este blog tem como objetivo tratar de motivação e reflexões não somente para o mundo corporativo, e como a viagem recente para Machu Picchu foi muito valiosa, resolvi extrair alguns trechos do diário para compartilhar com você leitor.

São reflexões, registros e sentimentos provocados, por pessoas, lugares, fatos e tudo o que pudesse me tocar de alguma forma.

(…)Passamos há pouco por um vilarejo chamado Rio Grande. Leio em uma placa “Locutorio publico”. É o local onde se fazem ligações telefônicas e Cybercafés. O chavão da era da globalização vale aqui. Vivemos da comunicação e na comunicação. Torres de telefonia celular despontam no horizonte e desfazem a naturalidade das paisagens. Celulares nas mãos de todos, sejam jovens, adultos ou idosos. Não há distinção de cor ou raça. Todos se comunicam. Nos hotéis, aeroportos, estações de trem e de ônibus, redes wireless proporcionam o ambiente “on-line” permanentemente. Nossos hábitos mudaram. Somos seres inter-conectados, independentemente de quem quer sejam nossos contatos, familiares, amigos, colegas de trabalho.

Esta necessidade de disponibilidade do contato tomou conta de nossas vidas. Precisamos refletir sobre isso. Consegui deixar meu celular praticamente desligado durante a viagem. Foi um alívio. Eu verdadeiramente não queria o contato externo. Não queria ver meus emails de serviço. Queria o meu, o nosso momento durante a viagem.  Mas sei que no dia a dia não somos assim. Se não temos como ligar, nos preocupamos. Se não temos como ser acessados, nos incomodamos.  Se não há acesso a Internet lamentamos e buscamos uma alternativa. Já se perguntou a razão disso?

Não sabemos mais esperar. A vontade, o desejo pelo estar “on-line” seja na net ou pelo celular é puro reflexo de nossa incapacidade de compreender que viver é estar aqui agora e aproveitar este momento e não o que está por vir. Esperamos pelo que não existe, pela ligação que pode ocorrer, pelo e-mail que pode chegar. Excluídas as situações de emergência, não sabemos mais esperar. Tudo precisa ser agora ou estar à disposição do agora. Assim, sem freio, o desejo passa a ser ditatorial e não nos apercebemos disso.  Tornamo-nos escravos de nossas vontades sem limites e substituímos nossas insatisfações no consumo, seja de produtos não necessários, do álcool, das drogas, do jogo, de pessoas… ou pelo trabalho desenfreado, pelo radicalismo de alguns esportes que liberam endorfina e adrenalina em doses cavalares nas nossas veias.

Percebo que esta acessibilidade permanente a que nos submetemos por conta de nossas profissões e responsabilidades, reproduz esta lógica. Não há mais hora para se ligar, afora as emergências. O dia, na lógica do trabalho para muitos, não tem mais horas a serem contadas ou respeitadas e sim objetivos, metas, problemas à espera de serem cumpridos ou solucionados.

Esta viagem, embora tenha sua programação, me faz pensar justamente no tempo que temos e damos para nós mesmos. O quanto dedicamos verdadeiramente, não apenas ao físico, mas àquilo que nos alimenta a “alma”.  Proporcionar a si mesmo, o tempo do distanciamento, da reflexão, do sorver aquilo que sabemos que é bom e da compreensão e entendimento do que não é bom, é nosso desafio para o presente.

Amanhã voaremos sobre as Linhas de Nasca. Deve ser algo incrível. Lí sobre elas quando tinha meus dezesseis anos, nas páginas do livro Eram os deuses astronautas? de Erich von Däniken. Agora terei a oportunidade de vê-las. Esta visão mística ou seja lá o que for de pensar que os deuses eram astronautas me fez crer por algum tempo na existência de extraterrestres. Mergulhei nas revistas e livros de Ufologia nesta época e com o passar do tempo aquela abstração foi deixada de lado. Ficaram as perguntas: Como, quando, por quê um povo dedicaria seu tempo e o trabalho a fazer aqueles desenhos na areia do deserto. Certamente é um mistério intrigante. Não estou buscando respostas, apenas a contemplação. Sei que esta viagem tem muito disso, contemplar, admirar.

Foi com esta determinação que embarcamos no avião na manhã seguinte, sem a intenção de tirar fotos, apenas admirar aquelas maravilhas. (…)

Em algum lugar entre Lima e Nasca/Peru 06 de julho de 2010

Astronauta

Condor

(fotos anônimas)

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