Liderança e constância de propósitos 2


Manter um blog é realmente um exercício de constância de propósitos, ainda mais quando esta atividade é complementar a que você desenvolve diariamente.

Hoje, dediquei-me mais um pouco na preparação da palestra do Congvap e alguns aspectos interessantes da constância de propósitos foram resgatados de minhas anotações e memórias.

Há quase vinte anos, tive a grata felicidade de assistir a um seminário do Dr. William Edwards Deming, com seus oitenta e poucos anos. Já havia lido seu livro e outros de diversos comentadores e complementadores da filosofia de Qualidade Total e, mesmo assim, o workshop com o Dr. Deming foi marcante. Um de seus princípios de administração é justamente a constância de propósitos, mais precisamente o primeiro princípio. Os prêmios nacionais de qualidade, como o Malcom Baldrige americano e o próprio PNQ brasileiro foram estruturados em parte, na filosofia do Dr. Deming.

Deming

Deming enfatizou muito naquele workshop, a necessidade de haver constância de propósitos no mundo dos negócios como base para um processo de melhoria contínua. Sem se manterem firmes e focados no objetivo da organização, desenvolvendo e aprimorando permanentemente seus processos, os executivos e líderes não seriam capazes de obter resultados de longo prazo. É sem dúvida, muito mais fácil, fazer concessões, ganhar no curto prazo, mas o objetivo final se perde com isso.

Quantas organizações conhecemos, e que mudam seus propósitos por conta de novos CEOs ou gerentes e se perdem nos esforços de curto prazo? Mudam seus propósitos por conta da concorrência, de uma leitura inadequada do mercado etc?

Revezes, problemas, insucessos são a base para o aprendizado. Quem só acerta não aprende com eficácia. No final de semana passado acompanhei um grupo de estudantes de Engenharia, que se propôs a construir um aeromodelo e competir em um evento organizado pela SAE Brasil (Society for Automotive Engineers) aqui em São José dos Campos. Estes jovens passaram os últimos quatro meses empenhados em fazer o projeto sair da tela do computador para a realidade. E o fizeram. Não foram exitosos em alcançar a pontuação que os deixasse nas primeiras colocações da competição, mas seu aeromodelo voou. Deixou muitos para trás, muitos que sequer voaram, outros que voaram e cairam. Ao ouvir um de seus integrantes ao fim da competição, percebi que ele havia acima de tudo aprendido o mais importante: os que nos venceram fizeram um grande trabalho, fizeram algo mais do que nós, mas sabemos que podemos fazer melhor no ano que vem. Não foram exatamente estas as palavras, mas era o sentido do que ele me dissera. Valeu Grigory Leonardo de Castro.

Muitos poderão simplesmente abandonar o sonho. Deixar o sonho de lado, abandonar a carreira, o curso. Uma derrota não é o fim. Podemos ver outros tantos exemplos no mundo dos negócios, nos nossos mundos pessoais, tão individuais.

Eles tem um sonho, um objetivo e certamente vão rever a estratégia. E você? Vai deixar de lado aquele objetivo, aquele sonho? E sua empresa? Vai mudar de objetivo no próximo ano, adotando a mais nova moda de meca da administração?

Pense nisso. Constância de propósitos.

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